A minha namorada apanhou o bouquet

rascunho

Terá sido esta a primeira versão, mais curriqueira, de buraco negro "das coisas".

Aquele lugar onde indefinido, onde habitam todas as nossos perdidos não achados, toda a nossa herança de descuidos e distrações que levaram a que algo que era 

 

Onde é que foram parar aquelas chaves de casa que obrigaram os meus avós a mudar a fechadura?

Onde é que anda aquele meu carrinho de brincar que levava para todo o lado?

Onde é que foi parar aquele meu copinho de guarda tazus da matutano que era a minha vida?

 

As primeiras duas não sei. Perdi.

A ùltima foi o esperto do Miguel que me ficou com eles no quinto ano. Confessou e devolveu 2 anos mais tarde. Mas foi preciso ameaçar com a Supernanny da altura: a empregada salazarista da escola.

 

Mas e aquelas chaves? E o carrinho?

Se ficamos contentes por ir a andar na rua e encontrarmos uma nota de 20 euros, na realidade, estamos a ser o buraco negro de alguém que a perdeu.

 

 

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