Ontem recebi um telefonema. Era o meu gestor de conta do banco.
Sim, aquela profissão que ficou famosa na problemática do BES. Que disse "sim, confie em mim" e depois o cliente mudou de nome de "João Miguel" para "Lesado nº 232". Esse mesmo.
Estava então no meio daquela conversa, que se repete ciclicamente, quando sofri uma espécie de epifania que partilho agora, aqui, convosco.
No fundo, o gestor de conta de um banco é como o vírus do Herpes.
A grande maioria da população padece dele, seja activo ou não, só difere na forma como se manifesta.
E uns são mais agressivos que outros.
Esta propagação viral é de tal forma agressiva que até o próprio gestor de conta tem, pela certa, um gestor de conta.
Se, por um lado, o herpes se manifesta periodicamente quando o nosso sistema imunitário está em baixo, já o gestor de conta aparece sempre quando o depósito a prazo tem as defesas em baixo, prestes a perder validade.
E se o herpes hoje em dia já é prontamente controlado por fármacos, por seu lado, o gestor de conta desaparece com um simples "Sim, vou aplicar onde me sugeriu".
Lamentavelmente, em nenhum dos casos existe cura.
Ele vai voltar. Volta sempre.
Mas além desta semelhança viral, o gestor de conta padece ainda de um distúrbio de bipolaridade laboral acentuada.
No seu elaborado e sedutor discurso, não fosse o herpes uma doença associada ao beijinho, afirma convictamente que o que propõem é do total interesse do cliente e sempre com vista a melhorar os resultados do mesmo.
Mas trabalha para o banco.
Olha o herpes a querer ser uma mononucleosezinha. O maroto.
Bem, uma coisa é certa, com este foco por doenças assim, beijinhos meus nunca vão ter.
Mas vá: "Sim, eu aplico"

(imagem)
P.A