Segundo a Wikipédia, choque cultural - que não é afinal um possível acidente de trabalho de um electricista num museu - como muitos poderiam pensar - corresponde na verdade à ansiedade e sentimentos (de surpresa, desorientação, incerteza, confusão mental, etc) quando uma pessoa tem de conviver dentro de uma diferente e desconhecida cultura ou ambiente social.
Na realidade, ao longo da nossa vida andamos numa constante e atribulada romaria de carrinhos de choque culturais uns contra os outros em que nem precisamos de sair do nosso país para batermos de frente na cultura de alguém.
Por vezes, basta apenas revelarmos um pouco do último episódio de Game of Thrones, para observarmos um belo espectáculo de caputanço em série de carrinhos de choque culturais cinematográficos dos nossos amigos que ainda não viram.
A este choque particular, costumam chamar de spoiler. Evitem, por favor.
Caso contrário os vossos amigos mais sensíveis, deixam de vos validar o passaporte da amizade e acabou ali a vossa viagem na vida deles.
Mas que devemos fazer quando nos deparamos com uma cultura diferente? Seja no Nepal, México ou a casa da sogra?
No primeiro exemplo devíamos ter ficado calados, no caso da casa da sogra também.
Já no Nepal, principalmente se forem fumadores, não façam como uma amiga minha que ao entrar num restaurante nepalês, perante uma vela mesmo no centro do altar da deusa Ganesha, resolveu acender o cigarro ali mesmo.
Foi o primeiro grande choque cultural que assisti.
Era possível ver, apenas pelo olhar horrorizado dos empregados, um fogo de artifício de rebentamentos culturais, à medida que a minha amiga ia profanando lentamente toda a sua cultura religiosa em troca de um mero cigarro aceso.
A comida estava estranhamente salgada.
Em Itália, em particular, Bolonha, não peçam Esparguete à Bolonhesa. Não existe.
Já no México, tenham apenas em consideração o câmbio.
Não do Euro para o Peso.
O do picante.
Mas o pior de todos e que acontece todos os Verões, são aqueles choques (es)culturais que estiveram o ano todo a malhar no ginásio e metem a porcaria da toalha mesmo ao meu lado só para eu me ficar a sentir mal com o meu three-pack.
Pura falta de educação.
P.A.
(Se quiserem ver o que é realmente um choque cultural em cadeia, basta lerem o meu último post sobre ir viver a dois com a rapariga que apanhou o bouquet para perceberem como é dura a viagem cultural, do filho que vive em casa dos pais, para o choque de ir viver para o meio de uma espécie de workshop de produtos de beleza, que foi o começar a viver com ela.)
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Este foi o 36º texto da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com a Rita da Nova. A ideia é irmo-nos desafiando uns aos outros através da escrita e escrevermos sobre temas que saem um pouco da nossa zona de conforto ou registo. Mas não só entre nós! Vocês também podem sugerir temas e escreverem também se gostarem das sugestões!
Este tema foi sugestão da Rita, vejam o que ela escreveu no blog dela!
Para daqui a 15 dias, que tal falarmos de Entrevistas de emprego?